Muito prazer, meu nome é outono.

14.4.10

Ela usava all star, ele nike shox



Não sei como desabafar.
Ele era magro demais pra ela. Ela era pequena demais pra ele. E, definitivamente, não dava pra conversar sobre música. Ele gostava de meninas loiras, altas... Ela gostava de meninos loiros, médios... Eram muito diferentes pra tentar. Mas tentaram, arriscaram, construíram lembranças maravilhosas. Mas, calma, eu chego lá...
Essa história começou muito antes de doze de outubro, mas eu vou começar a partir daí. Porque nesse dia, há cinco anos atrás, foi descoberto que apesar de todas as diferenças, o beijo era excepcional, do tipo que faz as borboletas voarem adoidadas pelo corpo inteiro e a terra girar mais rápido. Foi um dia bonito pra se começar uma história de amor. E um dia bonito para acabá-la. Ela não podia se apaixonar mais por aquele garoto estúpido. Ele não podia se apaixonar.
A história ficou em stand by por seis semanas. Tempo suficiente pra ela seguir em frente... e ele fingir que não se importava. E então eles viajaram com a escola pelo fim de semana. Fim do stand by. Início de uma grande confusão na cabeça deles. Mas, calma, eu chego lá...
Porque agora eu acabam de começar as lembranças maravilhosas.
Eles ficaram em quartos vizinhos, de modo que eram os primeiros a se dar bom dia e os últimos a se dar boa noite. Era difícil conter o coração. Na sexta feira choveu o suficiente pra limpar a alma. Ela se molhou. Ele ficou protegido. Ela saiu correndo e o abraçou. Ele a segurou no colo e a levou para fora. Ficaram lá por uns dois minutos. Não se beijaram, mas o mundo tremeu. Ela não mudaria nada nesse momento.
Sábado teve uma festa de dia das bruxas. Ela estava com seu vestido da sorte. Preto, indefectível. Ele estava maravilhoso, sua roupa parecia destacar o verde de seus olhos... A química foi inevitável. Como dois pólos opostos. Positivo, negativo. As diferenças não importavam. Se beijaram. Dançaram um pouco. (Ele, divinamente. Ela... nem tanto). Se beijaram. Andaram de mãos dadas. Se beijaram. Ele a empurrou no balanço. Se beijaram. Foram juntos para quartos separados. Beijo de boa noite... E veio o dia seguinte. Pra que serve mesmo o amanhecer?
Cheguei lá. A confusão parecia tomar conta de cada centímetro quadrado do corpo de ambos. Eram apenas crianças, não sabiam lidar com isso. Resolveram ignorar-se durante o dia seguinte. Ela estava no início de um compromisso, afinal... E ele não estava pronto para um.
Voltaram ao mundo real. Ela começou um namoro, seu primeiro namoro. E quem podia culpá-la? Era mais fácil assim. Fingir felicidade...
Nossos protagonistas eram obrigados a se encontrar todos os dias. Um cotidiano de olhares desviados e palavras não ditas. Até chegarem as férias. Benditas férias! Ou, pelo menos, era isso que ela pensava...
Existem distâncias que só servem pra aproximar o inevitável. Foi o caso. Ele começou a puxar assunto com ela todos os dias. Ela gostava. Ele fazia promessas de amor, pedia à ela pra jogar tudo pro alto. Ela tinha vontade, mas pediu um tempo pra pensar. Viajou.
Mas, como eu disse, existem distâncias que só servem pra aproximar o inevitável. Ela não conseguiu pensar em seu namorado durante o mês que ficou longe de Brasília. O estranho que assombrava seu pensamento era outro. Tudo o que ela queria era mergulhar naqueles olhos...
Ela voltou, terminou seu namoro, ligou pra ele. Ele foi congelante de tão frio. Ela se sentiu estúpida, era só mais um de seus joguinhos...
Nesse verão, ela emagreceu cinco quilos. Voltou às aulas mais feliz e mais magra. Ele a quis de volta. Ia ter que rebolar. E rebolou. Ela não sabe como deixou isso acontecer, estava apaixonada por ele no minuto seguinte... mas dessa vez não ia se entregar. Ela sente muito por isso, mas não pede desculpas.
Eles namoraram por um ano e um mês. Treze. Terminaram duas vezes antes do fim, porque nunca acreditaram que ele fosse mesmo chegar.
Ela o amava com todo o seu ser, mas era incapaz de demonstrar. Ele a amava com todo seu ser, e mudou por ela. Muito. Hoje ela percebe o quanto é grata por isso. Ele a ensinou a ver o coelhinho na lua, a enxergar coração em nuvem. Ela o ensinou matemática e inglês. Ela nunca o colocou na frente dos amigos. Ele colocou um anel em seu dedo, deu um ursinho pra abraçar antes de dormir. Ela o abraçava o tempo todo, queria estar ali pra ele... Só não conseguia. Amor não faltava. Faltava diálogo, compreensão... Faltava confiança. E as diferenças começaram a pesar...
O ciúme era prato principal, brigavam demais... e ela se recusava a deixá-lo fazer parte de sua vida, era melhor ter cuidado. Ela sente muito por isso, mas não se desculpa. Como poderia, afinal? Ele a machucara tanto...
O ciúme era prato principal, brigavam demais... e ele queria fazer parte da vida dela, mas ela tinha muito cuidado! Ele sente muito por isso e se desculpa. Ele a machucara demais...
Mas eles foram levando. Uma pilha de conversas evitadas, pensamentos não ditos, olhares desapontados. Acumulou, como aquele armário bagunçado de toda santa casa... que ninguém tem coragem de limpar.
Até que em uma dessas brigas mal resolvidas, ele deu a outra boca o beijo que era só dela. Ela o perdoaria se tivesse sido só isso. Beijos não são contratos. O problema foram as mãos dadas no dia seguinte. O sentimento... Isso não dava pra perdoar.
O mundo caiu, mas ela carregou nas costas. Foi fácil, ele era só uma pequena parte de sua vida. Não fazia parte dela. Ela não lembra de ter derramado mais de duas ou três lágrimas. Sentia falta dele, é claro. Mas não admitiria. Nunca. Três meses depois, estava de volta. Apaixonada por outro alguém. Já podia pensar nele com carinho. Lembrar sem doer.
O mundo caiu e o esmagou. Foi difícil, ela era sua vida inteira. Ele chorou escondido e esmurrou as paredes. Sentia falta dela, é claro. Mas não admitira. Nunca. Ela a superou rápido demais. Ele não superou. Namorou outras vezes, antes dela até... Mas jamais seria a mesma coisa. Ainda não pode pensar nela com carinho. Ainda dói lembrar.
Eles passaram anos sem trocar uma palavra. Um sorriso. Um aceno de cabeça. O amor não se transformou nem em bom dia.
Ela sabia o que tinha feito de errado, ele também. Mas são ambos teimosos e orgulhosos demais pra dar o primeiro passo e resolver. É mais fácil deixar pra lá... Mais uma conversa evitada, mais uma tralha pro armário.
Anos depois, eles se encontram no churrasco da escola. Revertigo. Não fazia sentido estarem separados. Não conseguiam parar de se olhar. Ele estava mais bonito do que nunca, ela havia terminado outro namoro a pouco tempo... A lembrança do beijo martelava na cabeça. A memória só conseguia alcançar os bons momentos. Resolveram conversar, mas esse não é o forte deles. Se beijaram no lugar. Um, dois, três beijos.
Eu também queria que essa história terminasse com um "felizes para sempre". Mas beijos não são contratos.
"Esse foi um beijo de despedida, que se dá uma vez só na vida. Explica tudo, sem brigas, e clareia o mais escuro dos dias. Tudo bem se não deu certo".
Eles se amaram desesperadamente. Ninguém amou mais ou menos. Só amaram demais. E conversaram de menos. Ela faria tudo diferente, se ele fizesse tudo igual.
"Mas você lembra, você vai lembrar de mim, o nosso amor valeu à pena sim! Lembra, é o nosso final feliz."
Quero terminar citando o ditado popular que foi o lema do relacionamento desses dois: "Os opostos se distraem, os dispostos se atraem". Eles eram opostos dispostos. E eles davam certo sim. É uma pena que acabou.

Com o aperto da saudade e a esperança de um último abraço,
Gabriela.

3 comentários:

  1. Poxa, eu também adorei o seu blog. E não sei como faz esse negócio de follow.

    Sobre a história... Sempre amores não concluídos. Mas por que ele a traiu (no quesito "sentimentalismo")? Essa foi a única parte que eu não entendi.
    Eu tenho uma coisa a dizer a esses dois: comunicação é tudo.

    "Os dias passam e são sempre iguais, a dor de te ver já faz parte do meu cotidiano. Mas eu nunca vou te confessar o que ando sentindo. Pra quê? Você só usaria isso contra mim..."

    A gente sempre espera por um final feliz.

    Vou te linkar, ok? Na sessão "confort" do meu blog... É lá que guardo blogs que leio e blogs de amigos!

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